Inovação

Inovação – O que mudou na busca por fornecedores

23 de julho de 2020

Quando se fala em inovação e os impactos que ela proporciona nas mudanças no mercado por influência de fatores internos e externos estes impactos são ao mesmo tempo positivos e negativos.

Especificamente sobre as alterações no relacionamento com o fornecedor, André Gurgel, membro do Procurement Club destaca que “as novas tecnologias aplicadas a Compras, como RPAs; Blockchain e IA por exemplo, permitem que as interações sejam mais fluidas e rastreáveis e as oportunidades mais democratizadas principalmente quando falamos da curva C. Temos, portanto, um ganho relevante na redução dos custos de emissão de pedidos e de order entries. Além de uma maior conformidade quanto a questões de Compliance e atendimento a standards e padrões de qualidade.”

O ponto de atenção que Gurgel ressalta, é quanto a tecnologia aplicada em larga escala e de forma indistinta poderia ser um gatilho que levaria a uma relação mais distante entre compradores e fornecedores; e ainda “mais fria, perdendo-se eventualmente a sensibilidade de explorar melhor oportunidades mediante interações diretas e pessoais.” 

O melhor entendimento de clientes hoje pode ser feito por todo o tipo de pesquisa usando ferramentas com tecnologia apropriada que trazem maior conforto a quem responde e praticidade a quem consolida os dados, porém um contato pessoal captura nuances importantes que a tecnologia ainda não consegue traduzir perfeitamente.

Para estar um passo à frente, as empresas devem observar nesse caminho de mudanças traçado pela inovação que nem toda tecnologia funciona todo o tempo e em todo lugar. É preciso ter critério para avaliar o que melhor funciona e de fato entrega os benefícios propostos para uma determinada organização ou estrutura de compras. Portanto, ser bastante criterioso na melhor escolha por uma tecnologia que de fato irá endereçar melhorias relevantes e que o custo x benefício faça sentido, é o melhor ingrediente para uma receita de sucesso.

Um outro ponto importante, segundo André Gurgel, é lembrar que inovar não necessariamente envolve tecnologia. E, “pensar fora da caixa muitas vezes nos leva a simples mudanças de processos, alterações de procedimentos e por que não da cultura organizacional. Para estar um passo à frente é preciso ter a sensibilidade de perceber o que realmente faz sentido e irá impactar positivamente clientes internos e fornecedores e trará resultados concretos e mensuráveis para a organização.”

Como uma empresa deve se estruturar para inovar?

O movimento de inovação busca promover tecnologias que conectam setores das empresas e seus fornecedores e essa nova realidade tende a ser cada vez mais integrada. E como as empresas estão se preparando para estes novos tempos?

“Esse é, em minha opinião, o principal fator de sucesso nesse processo todo. Parece existir um hiato entre o desejo de estar atualizado e em linha com esta nova era e de fato se engajar nesse movimento.”

Todo processo de mudança exige que todos saiam da zona de conforto, e por isso, pode ser difícil de se colocar em prática. Por isso é importante que toda a organização esteja engajada nessa jornada e é preciso discutir seriamente até que nível está disposta a mergulhar nessa proposta.

Ainda existem muitas dúvidas e incertezas no mercado quanto a preparação de vivenciar e experienciar a inovação; e nesse cenário é compreensível o medo pela mudança. Sobre isso Gurgel considera que “uma migração full depende também de muito esforço e investimentos. Empresas mais jovens, startups, fintechs, etc se beneficiam de já poderem nascer digitais. Porém para as demais empresas essa migração é mais dolorosa, demorada e custosa.”

Do ponto de vista dos fornecedores a realidade é menos uniforme. Alguns estão mais preparados e outros menos. Essa é uma dificuldade quanto a aplicação de uma determinada tecnologia que se destina a cobrir 100% da base de fornecedores de uma empresa. A exemplo disso, o Executivo e membro do Procurement Club vê o esforço para uma perfeita utilização de marketplaces ou até mesmo a utilização eficiente de uma simples solução de assinatura digital. “Isso nos propõe que ainda temos um longo caminho pela frente e muito trabalho a fazer.”

A Inovação e os Modelos de Negócios

Cada caso é um caso e, como já citado anteriormente, inovar não necessariamente passa por tecnologia. A inovação em si se assemelha a uma grande loja de departamentos. Tudo dentro da loja é muito bacana, atraente, mas não necessariamente é preciso comprar a loja toda. Cada um compra apenas aquilo que faz sentido para si e lhe é útil de alguma forma. Com essa visão o Executivo faz a seguinte reflexão: “a aquisição de novas tecnologias deveria passar pelo mesmo crivo e prévia análise. Lembrando que muitas vezes depois que investimos em determinada tecnologia a decisão de saída dela pode ser mais dolorosa do que a implementação inicial. Melhor portanto pensar bem nas escolhas antes de iniciar sua jornada para evitar terríveis dores de cabeça.”

Pilares de sustentação para uma empresa se adequar ao conceito de inovação

Para se aventurar nesta inciativa é preciso:

  • Compromisso 

Toda organização deve estar comprometida com esta transformação. Ser flexível e aberta a novas oportunidades será uma constante e um passo essencial para esta caminhada.

  • Estudo 

Saber a fundo as verdadeiras dores internas exige muito estudo. O que precisa ser melhorado, o que deve ser mantido e o que precisa ser abandonado.

  • Mapeamento 

Depois desses estudos é fundamental fazer as análises criteriosas das tecnologias existentes e mapeá-las para implantar o que faz sentido e endereçar os pontos de melhoria estudados e mapeados.

  • Foco 

Não podia faltar, claro, o foco na execução, acompanhamento do processo de implantação e constante aprimoramento do que for sendo introduzido.

  • Monitorar

Criar indicadores que possam medir a evolução e ganhos é essencial para a manutenção da credibilidade do processo.

Avaliação dos Riscos – Receita vs Despesa

Para saber qual a avaliação dos riscos, o que o gestor ou empresário deve fazer é balancear despesa e receita em relação ao investimento. E essa é considerada por André como “a pergunta do milhão” para alcançar um novo patamar. Por estarmos vivendo momentos de extrema volatilidade, tudo o que se vê são riscos e ameaças; a diversos setores e empresas. Por isso, a resposta mais franca e honesta possível é: “fiquem atentos porque momentos de crise também são grandes momentos de oportunidades. Além disso neste processo de isolamento social muitas empresas foram forçadas a entrar rapidamente no universo digital.”

Existe uma imensa experimentação forçada de muitas ferramentas deste universo . Certamente hoje a questão prioritária não é mais custo x benefício, mas sim a sobrevivência dos negócios.

As mudanças na busca por fornecedores influenciadas pela inovação

Neste caso dois fatores são mais relevantes. O primeiro, a aparição de diversas aplicações para busca e homologação de fornecedores. “Cada dia mais percebemos que o tempo gasto de forma offline na busca por fornecedores está sendo reduzido mediante a utilização de plataformas digitais de cadastro e homologação de empresas. A tratativa dessa imensa base de informação está evoluindo em soluções cada dia mais complexas e assertivas e por consequência a escolha se dá cada vez mais ancorada em dados.”

O segundo ponto é que, como já mencionado, a base de fornecedores não é uniforme. Alguns setores são naturalmente mais atualizados com relação a tecnologia e inovação e outros não. “Além disso e em especial no Brasil, temos questões regionais que impactam de forma significativa a busca de fornecedores igualmente qualificados e atualizados em todos os nossos estados e cidades. Isso torna muitas vezes a implantação uniforme de uma determinada solução um grande desafio por parte das empresas.”

O desafio é grande e certamente há muito trabalho pela frente. Porém o momento está levando muitas empresas a inovar e experimentar soluções novas rapidamente e de forma colaborativa. “Até neste contexto, nunca o conceito do fair trade e do ganha x ganha foram tão importantes para as organizações e para os profissionais de compras. Precisaremos aprender a dar este passo juntos se quisermos construir um ambiente tecnológico, conectado e inovador. “

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